História da Língua Portuguesa: de Portugal ao Brasil

  • 5500 BCE

    5500 a.C. (XI Milênio a.C.) - Primeiro registro do Protoindo-Europeu

    5500 a.C. (XI Milênio a.C.) - Primeiro registro do Protoindo-Europeu
    Registro mais antigo do Protoindo-Europeu, tronco linguístico do qual, de acordo com a linguística histórico-comparativista, também denominada de filologia, derivam os ramos: Anatólico, Helênico, Indo-Iraniano, Céltico, Balto-Eslavo, Germânico, Armênio, Tocário, Albanês e Itálico, do qual, por sua vez, deriva o latim e, por conseguinte, as línguas românicas.
  • 1000 BCE

    Todo o Iº Milênio a.C.

    Todo o Iº Milênio a.C.
    Durante todo o primeiro milênio antes de Cristo, o Latim, que se caracterizou como a língua falada na região central da Itália, o Lácio, de onde deriva o termo “latim”, vivenciou uma infinidade de modificações e variações linguísticas em decorrência de sua expansão. O latim se desdobrou, dando origem às subdivisões classificadas como: latim arcaico, latim clássico ou literário, latim culto e latim vulgar, este último que abarca as camadas mais populares da sociedade.
  • 900 BCE

    Séc. IX ou VIII a.C. - Registro mais antigo do aparecimento do latim

    Séc. IX ou VIII a.C. - Registro mais antigo do aparecimento do latim
    Registro mais antigo do aparecimento da língua latina, em decorrência dos processos migratórios dos migrantes latinos para a Península Itálica. Povos nômades que após os processos de sedentarização em consequência das revoluções agrícolas, fixaram-se na região do Lácio, onde mais tarde, a civilização romana viria se desenvolver.
  • 218 BCE

    218 a.C. - Romanos invadem a Península Ibérica

    218 a.C. - Romanos invadem a Península Ibérica
    Os romanos invadem a Península Ibérica e todos os povos ali sediados (exceto os bascos) passam a conviver com o latim vulgar, a modalidade falada do latim. Com isso, é dado início ao processo de formação de três línguas: o espanhol, o português e o galego. Com o estabelecimento do Império Romano, ocorre uma intensa homogeneização política, cultural e linguística em toda a península.
  • 100 BCE

    Séc. I a.C. e Séc. I d.C.

    Séc. I a.C. e Séc. I d.C.
    A língua latina, em todas as suas variações e dialetos, inicialmente localizada em Roma, acompanha as conquistas dos romanos durante o período inicial da monarquia, passando por vários séculos de república, e chegando finalmente, a grande expansão imperial. O latim acompanhou todo o processo de ascensão e queda do império romano e se expandiu para outras regiões, dando origem a dialetos e às línguas que mais tarde seriam classificadas como “línguas românicas”.
  • 200

    Séc. II a.C. - O Império Romano

    Séc. II a.C. - O Império Romano
    O Império Romano – ou România – atinge o seu apogeu, porém, após esse período, em decorrência da vastidão do império e das constantes invasões sofridas por povos bárbaros oriundos das regiões germânicos e de outras regiões, cujos dialetos passavam pelos processos de “romanização”, ou seja, línguas que eram consideradas de substrato, começou a passar pelo processo de declínio que paulatinamente culminou em sua queda em 476 d.C.
  • 200

    Séc. II a.C. até a contemporaneidade

    Séc. II a.C. até a contemporaneidade
    As línguas românicas, dentre múltiplas variações e dialetos se consolidaram durante as expansões e invasões da Península Itálica e se perpetuam até a contemporaneidade. A România que falava latim dá origem à România que originou as línguas românicas: o romeno, o dalmático, o italiano, o sardo, o rético, o francês, o provençal, o franco-provençal, o catalão, o espanhol.
  • 409

    Invasão germânica

    Invasão germânica
    Invasores germânicos - vândalos, suevos, alanos e visigodos - instalam-se na Península Ibérica, onde permanecem até 711 d.C.
    Apesar de três séculos de dominação, a língua e a cultura latinas não mudam substancialmente, exceto pelo enriquecimento do vocabulário, que agora inclui alguns termos de origem germânica, como roubar, espiar, lutar, embrulhar e brotar.
  • 500

    Séc. V - Portucale

    Séc. V - Portucale
    Surge a palavra "Portucale", designando dois burgos: Portu (atual Porto) e Cale (atual Vila Nova de Gaia).
  • 711

    Séc. VI - Invasão árabe

    Séc. VI - Invasão árabe
    Os árabes invadem a Península Ibérica e aí se instalam. Durante seu domínio, as ciências, a agricultura, o comércio e a indústria floresceram. Embora o árabe seja adotado como língua oficial, as pessoas continuam falando romance, uma modalidade do latim vulgar.
  • 711

    Contribuições árabes para o vocabulário latino

    Contribuições árabes para o vocabulário latino
    Mais uma vez, o vocabulário latino recebe contribuições, especialmente com palavras ligadas a áreas técnicas (alfinete, alicerce, alicate, azulejo, almofada, alfaiate), agricultura (arroz, azeitona, açucena, alface), culinária (açúcar, azeite), vida militar (alferes, refém) e urbana (aldeia).
  • 801

    Séc. IX - Latim bárbado

    Séc. IX - Latim bárbado
    Alguns termos portugueses são registrados em textos escritos por tabeliães em latim bárbaro; o português, no entanto, ainda é basicamente uma língua falada.
  • 1001

    Séc. XI - Reconquista da Península Ibérica

    Séc. XI - Reconquista da Península Ibérica
    Em uma empreitada rumo à reconquista da Península Ibérica, cristãos avançam sobre os inimigos árabes e os empurram para o sul da península (onde surgem os dialetos originados do árabe em contato com o latim). As guerras de reconquista levam à criação do Estado português.
  • 1189

    O primeiro texto escrito em língua portuguesa

    O primeiro texto escrito em língua portuguesa
    A "canção da ribeirinha", redigido por Paio Soares de Taveirós, escrita em português arcaico, a canção marca o início do trovadorismo em Portugal. Segundo alguns historiadores, a cantiga foi inspirada em dona Maria Pais Ribeiro, a Ribeirinha, amante do segundo rei de Portugal, dom Sancho.
  • Sep 10, 1261

    D. Dinis I de Portugal

    D. Dinis I de Portugal
    D. Dinis é considerado o primeiro monarca português realmente letrado. Isso se deve, não somente por assinar seu nome completo, o que não era comum, como também, apreciava muito às artes, principalmente a literatura trovadoresca. Ele próprio foi um dos grandes compositores da época, escrevendo diversas cantigas de amor, amigo, maldizer e escárnio. Se tornou rei muito jovem, com apenas 17 anos, e seu reinado durou 46 anos.
  • 1279

    Séc. XII - Formação do reino independente de Portugal

    Séc. XII - Formação do reino independente de Portugal
    Nasce o reino independente de Portugal. Na segunda metade do século XII, o português já estava formado, com vocabulário e forma que permitiam seu uso. Porém é oficializado apenas em 1279, pelo rei Dinis, monarca e poeta.
  • 1300

    Séc. XIII - Português literário

    Séc. XIII - Português literário
    Começaram a surgir textos escritos em português literário, língua que misturava o galego-português com usos e particularidades de Coimbra e Lisboa. Vale frisar, que não havia distinção entre o português e o galego.
  • 1300

    Contribuições provençal e francesa para o vocabulário português

    Contribuições provençal e francesa para o vocabulário português
    Peregrinações de religiosos franceses a Santiago de Compostela, no Noroeste da Península Ibérica, culminam na formação de centros de cultura desse povo, cujas línguas - provençal e francês - emprestam influências ao português em termos diversos, como trovar, trovador, alegre, o sufixo "age", que se transformou em "agem" em português (linhagem, mensagem, selvagem etc.).
  • 1350

    Séc. XIV - Nascimento da prosa literária

    Séc. XIV - Nascimento da prosa literária
    Nasce a prosa literária em português, com Livro de linhagens e Crônica geral de Espanha.
  • 1460

    Séc. XV - Expansão ultramarina

    Séc. XV - Expansão ultramarina
    Com a expansão ultramarina e a formação do império português, a língua portuguesa se espalha por diversas regiões da África, Ásia e América e recebe diversas influências.
    O termo "alcova" e "monção" originaram-se do árabe falado no Norte da África; "pagode" veio do idioma dravídico, falado na Índia; "jangada" veio do malaio; "junco" e "chá" do chinês.
  • 1536

    A primeira gramática portuguesa

    A primeira gramática portuguesa
    As primeiras gramáticas portuguesas custaram a surgir, sua pioneira foi a de Fernão de Oliveira "A GRAMMATICA DA LINGOAGEM PORTUGUESA".
  • 1572

    Séc. XVII - O nascimento do português clássico

    Séc. XVII - O nascimento do português clássico
    A publicação de "Os Lusíadas", de Luís Vaz de Camões, marca o nascimento do português clássico. Nessa obra, o idioma já se assemelha à forma atual.
  • Séc. XVII ao XVIII - Formação linguística na região amazônica

    Séc. XVII ao XVIII - Formação linguística na região amazônica
    Devido à grande escravidão na região do Grão-Pará, o panorama linguístico com o qual os portugueses se depararam na região a tornava uma verdadeira Babel, a maioria pertencente ao tronco tupi. Devido a falta de comunicação, os portugueses recorreram ao uso das LG. A Língua Geral Amazônica (LGA), de base tupinambá e atualmente chamada de nheengatu “a língua/fala boa”; língua oficial do município de São Gabriel da Cachoeira.
  • Sotaque nordestino

    Sotaque nordestino
    O litoral nordestino, em especial, recebeu muito do iorubá (falado por escravos nigerianos), do quimbundo e umbundo (dos angolanos) e do quicongo (de nativos do antigo Zaire). Estima-se que em cerca de 300 anos (a partir de meados do século XVI) mais de 3 milhões de africanos - falantes de mais de 300 línguas - foram trazidos para o país. Diante disso, houve influência na pronúncia, entonação, cadência e léxico do idioma. Calcula-se que no português há cerca de 2.500 palavras de origem africana.
  • Utilização da Língua Geral no período de colonização

    Utilização da Língua Geral no período de colonização
    O encolhimento da LGA aconteceu quando o português assumiu suas funcionalidades: o português passou a ocupar o lugar social da LGA. A história da formação linguística da região amazônica é extremamente rica e a formação linguística no Brasil não foi homogênea, variou muito de lugar para lugar. No caso, não houve o desaparecimento da LGA, mas sua reorganização longe dos centros urbanos, como já foi mencionado o município de São Gabriel da Cachoeira.
  • Séc. XVIII - Influência francesa

    Séc. XVIII - Influência francesa
    Filhos dos nobres vão completar os estudos na França. Em decorrência disso, a língua portuguesa incorpora uma série de termos franceses, como, ateliê, bibelô, boné, chique, chofer, deboche, matinê, garagem, toalete etc.
  • Sotaque mineiro

    Sotaque mineiro
    Minas Gerais, no tempo da mineração, assistiu a mudanças de pronúncia em sua fala ao acolher forasteiros não só de Portugal, mas dos quatro cantos do Brasil. Além desta mescla ter composto um sotaque que misturava características de tanta gente, gerou rotas comerciais que contribuíram para a unidade da língua portuguesa no Brasil.
  • Sotaque carioca

    Sotaque carioca
    O Rio de Janeiro recebeu uma imensidão de portugueses (quase um terço da população local da época) e deles adquiriram o chiado do "s", hoje típico /duish/ /cariocaish/ (dos cariocas).
  • Sotaque sulista

    Sotaque sulista
    Alguns povos do Sul herdaram o "tu", dos portugueses, que posteriormente se somou aos falares de muitos imigrantes europeus (especialmente alemães).
  • Abertura do jornal "Gazeta do Rio de Janeiro"

    Abertura do jornal "Gazeta do Rio de Janeiro"
    Foi inaugurado o jornal “Gazeta do Rio de Janeiro”, a parti deste momento o pais contava com publicações feitas diretamente em seu território, sem passar pela censura de Portugal. O Brasil passa a contar com a imprensa, políticas educacionais e a urbanização intensa. Com a imprensa escrita foi possível fixar normas estilísticas exclusivamente brasileiras, sem as amarras da “sintaxe lusa”.
  • Séc. XIX ao XX - O português absorve termos internacionais

    Séc. XIX ao XX - O português absorve termos internacionais
    O português absorve termos internacionais de origem greco-latina relacionados a avanços tecnológicos: automóvel, televisão, telefone, aeroplano, rádio, entre outros. Além disso, incorpora-se ao português inúmeras palavras de origem inglesa, como bar, bife, clube, futebol, lanche, sanduíche, estresse e muitas outras relacionadas à área da informática.
  • Sotaque paulista

    Sotaque paulista
    Em São Paulo, as grandes mudanças ficaram por conta dos italianos, dos asiáticos e de brasileiros de todo o país que migraram para a região a partir do século XIX, desvinculando a fala da capital do /r/ puxado do interior.
  • 1922 - Primeiro mapa linguístico brasileiro

    1922 - Primeiro mapa linguístico brasileiro
    O trabalho de Antenor Nascentes, traz o primeiro mapa linguístico brasileiro, classificando variedade regionais do português brasileiro. Com quase cem anos, o mapa ainda é relativamente fiel a realidade variacional do português brasileiro quanto as suas macrocaracterísticas, identificando as seguintes variedades: Sulista, Mineiro, Fluminense, Baiano, Nordestino, Amazônico.
  • 1950 em diante - Fase do nivelamento linguístico

    1950 em diante - Fase do nivelamento linguístico
    Dentro dessa fase os meios de comunicação desempenharam um papel fundamental, entendendo-se aqui por meios de comunicação não apenas a imprensa escrita, mas também o rádio e a televisão (ainda em momentos diferentes); logo, uma mesma estação de rádio e/ou canal de televisão pode ser ouvido no Brasil inteiro, sendo transmitido para qualquer lugar as características linguísticas da região de origem. Ocorreram dois congressos com intuito de discutir uma norma padrão para o radio e a televisão.
  • 1969 - Projeto da Norma Urbana Linguística Culta (NURC)

    1969 - Projeto da Norma Urbana Linguística Culta (NURC)
    A partir desta década foi construído um projeto em coletivo com varias linguistas das mais variadas partes do Brasil, e o principal conhecido pela sigla NURC (Projeto de Estudo da Norma Urbana Culta), porém os frutos destes projetos coletivos ou individuais só chegaram a grande massa recentemente, fora do circuito acadêmico. Podemos citar as gramaticas elaboradas por Ataliba Castilho (2010), Mário Perini (2010) e Marcos Bagno (2012). Com o intuito de aproximar o a população para a linguística.