Fundamentos do Patrimônio Cultural

  • Análises das obras e fatos

    Desde 1841 parte considerável das análises tinham um caráter idealista e positivista, observando as obras como progresso espiritual. Dessa forma, eles se limitavam a anedotas, biografias e descrição das obras e estilos.
    Algumas das obras marcantes são: Memória sobre a antiga escola fluminense de pintura (Araújo Porto-alegre; 1841) e História da pintura do Brasil (Reis Junior; 1944).
  • Ideia do que quer dizer popular

    Durante a década de 1920, Mário de Andrade já tinha formulado a ideia de "popular" como algo que é autenticamente brasileiro, devido às suas viagens pelo país.
  • Diálogo de Mário de Andrade

    Mário de Andrade, a pedido do ministro Gustavo Capanema, cria um projeto que, na visão de alguns, serviu de base para a criação do Serviço do Patrimônio Artístico Nacional (SPAN) e, na visão de outros, foi importante pelo seu caráter antropológico e artístico, mas não para a criação do SPAN em si (pois isso foi mérito do Rodrigo M. F. de Andrade e sua equipe.
  • Busca etnográfica de Mário de Andrade

    No período entre 1936 e 1938, Mário de Andrade organizou a Missão de Pesquisa Folclórica, no Departamento de Cultura de São Paulo, tendo como perspectiva o tratamento integral da cultura cuja trilha seria traçada na experiência, na metodologia de inventário, nas técnicas de registro e na noção de arte com que trabalhava.
  • Criação do Serviço do Patrimônio Artístico Nacional (SPAN)

    Rodrigo Melo Franco de Andrade (e sua equipe) elaboram a lei 25/1937 que propõe a criação do SPAN.
  • Primeiro volume do Serviço de Patrimônio Artístico Nacional

    Apesar de ter uma noção que o patrimônio não era representado somente por monumentos arquitetônicos, o volume retratou somente esse estilo de patrimônio.
    De acordo com suas palavras, patrimônio abrangia bens móveis e imóveis relacionadas a fatos memoráveis.
    Ainda assim, seus ideias não era totalmente semelhantes ao Mário de Andrade, que acreditava que a cultura brasileira poderia ser apreendida como uma totalidade coesa, ainda que seja constituída por uma ampla diversidade de práticas possíveis.
  • Segunda edição do Sphan

    Afirma a existência de Aleijadinho, que não se tinha certeza da real existência, através de pesquisa de documentos e de recibos do escultor.
  • São Miguel das Missões

    Foi o monumento símbolo da criação do SPHAN em 1938, mas passou por uma reestruturação em 1925 e foi aclamado como Patrimônio da Humanidade em 1983.
    Símbolo da agregação territorial, união nacional e identidade do povo gaúcho. É o único exemplar das construções jesuítico-guaranis completo com torre e frontispício localizados no Brasil, na Argentina e no Paraguai.
    É a testemunha do surgimento de um novo mundo, gerado pela expansão européia do século XVII e por ação civilizatória dos jesuítas.
  • Sexta edição do Sphan

    O austríaco Hans Tietze sugere aos historiadores brasileiros a a documentação nas atas de declaração de bens, nas autobiografias, nas cartas, nos diários, nos documentos escritos, nas leis, nos livros de receitas, nos óbitos, nas obras de viajantes, nos recibos, nos reconhecimentos de firmas, nos registros de batismos, enfim, na cultura da época.
  • Décima edição do Sphan

    A obra inicia o estudo da fotografia através das análises de Gilberto Ferrez. Infelizmente, o estudo estava fadado ao desaparecimento.
  • Criação da Comissão Nacional do Folclore

    Uma das comissões temáticos do Instituto Brasileiro da Educação, Ciência e Cultura (IBECC), organizada no Ministério das Relações Exteriores (MRE) para ser representante brasileira na Unesco que teve auxílio de Mário de Andrade.
  • Criação da Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro

    Campanha vinculada ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), criada em 1953, e à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Dphan, antigo Sphan) foi o momento auge de estudo do folclore brasileiro até 1964, focando nos três grupos formadores (brancos, indígenas e negros).
  • Convenção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural

    Já existia um movimento que deseja inserir o patrimônio cultural à esfera dos patrimônios preservados.
    essa convenção foi uma marco que possibilitou esse acréscimo.
    Um acréscimo que durante as décadas de 970 e 1980 passaram a buscar valores que ultrapassem as fronteira nacionais e, sim, características identitárias e de outras naturezas, como a religião, étnica, ideológica, de gênero, etc.
  • Política Nacional de Cultura

    Política estabelecida com base nos estudos de Sérgio Miceli que norteou a presença governamental na área da cultura, visto que o governo de Ney Braga desejava inserir esse domínio entre as metas da política de desenvolvimento social do período.
    Assim, Miceli compreendeu o campo patrimonial dividido em duas esferas: a executiva e a patrimonial.
    Porém, também existia uma terceira frente voltada a valorização da cultura popular. Essa frente formou o Centro Nacional de Referência Cultural (CNRC).
  • Criação da Fundação Nacional da Arte (Funarte)

    Incorporava os projetos relacionados ao folclore e à cultura popular, por meio da criação do Instituto Nacional do Folclore (INF), que substituiu o CDFB.
  • Publicação da primeira versão sobre a história do patrimônio cultural do Brasil

    Publicada pela Secretaria do Patrimônio e Artístico Nacional e Fundação Nacional Pró-memória, delineava uma trajetória de ações de preservação que remontava ao século 18, através das intenções do governador Luís P. F. de Andrade, que buscava preservar construções dos holandeses no Recife. Essa versão também estabeleceu uma periodização que se tornou consagrada dividida em duas grandes fases a trajetória institucional: a fase heroica e a fase moderna.
  • Criação da Fundação Nacional Pró-memória

    Nos anos de 1980, Aloísio Magalhães criou a fundação que incorporou uma série de instituições culturais, como a Biblioteca Nacional e o Museu Nacional Belas-artes, para as modernizar.
  • Nova Publicação da Sphan

    Essa publicação de 1980 buscava mostrar as "evoluções" na compreensão do que é a patrimônio cultural, tendo como ponto de chegada a incorporação do CNRC ao Iphan.
    Apesar disso, essa reestruturação trouxe consigo uma série de conflitos que buscavam a lutar por uma hegemonia ideológica ou por recursos.
    Processo conturbando que ainda assim conseguiu realizar mudanças significativas, como no processo de tombamento.
  • Patrimônio Nacional Brasileiro

    É aclamado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.
  • Ouro Preto

    É considerado um monumento nacional em 1933, mas só foi tombado pela SPHAN em 1938.
    É um grande exemplar do urbanismo do ciclo da mineração do ouro (século XVIII), além de ser um marco da história do pensamento de liberdade, das artes plásticas e literatura.
    Seu urbanismo é coeso, permeado de obras de artes e detentor de um sítio natural de rara beleza, que possuí certos riscos devido à ocupação indevida no entorno e pela circulação de transportes pesados
  • Centro Histórico de Olinda

    Declarado um local de preservação urbana e ambiental que conta com uma história ligada ao ciclo da cana-de-açúcar e possui um traçado quinhentista, com fortes tradições religiosas e arte popular.
  • Salvador

    Inicialmente, somente alguns dos seus monumentos foram tombados (1938). Em 1984, o seu centro urbano foi tombado. Mas em 1985 a cidade passou a ser considerada como um bem cultural de valor internacional na vida social e política do Brasil e de Portugal devido às suas realizações artísticas e estéticas
    únicas do barroco luso-brasileiro e organização social da área.
    Também foi criação o sistema de inventários na Bahia, um exemplo pioneiro para os inventários dos bens estaduais.
  • Santuário de Bom Jesus de Matosinhos e obra de Aleijadinho

    Foi tombado como acervo arquitetônico, paisagístico e escultórico em 1938.
    O santuário é considerado uma síntese da religiosidade colonial e o pensamento artístico barroco/rococó que influenciou toda região
    aurífera.
    É uma obra de Aleijadinho, considerado um grande escultor colonial das Américas.
  • Plano Piloto de Brasília

    Marcada pelo planejamento e pelas construções modernas de Oscar Niemeyer.
  • Mudança na Constituição Federal

    Após mudanças na Constituição Federal, a noção de patrimônio passou a ter uma expansão, acompanhando as ideias presentes no restante do mundo ocidental.
  • Patrimônio Imaterial

    Na década de 1990, o Grupo de Trabalho do Patrimônio Imaterial e da Comissão de assessoramento ao Grupo de Trabalho, elaboraram uma nova legislação que atendesse às especificidades da preservação do patrimônio imaterial, se concretizou em 2000, através do decreto nº3.351, que instituiu o Registro de Bens de Natureza Imaterial e criou o Programa Nacional de Patrimônio Imaterial. Programa que iniciou ligado ao Ministério da Cultura, mas, em 2003, passou a integrar o Iphan.
  • Serra da Capivara

    Em 1991, foi enviada a Unesco um informe indicando a importância fundamental no âmbito arqueológico, antropológico e artístico da Serra da Capivara, visto que ele contém sítios
    arqueológicos, conjugando as obras do homem e da natureza,
    cujo valor é universal e que remontam à Antiguidade.
  • São Luis

    Seu tombamento nacional iniciou em 1955. Já pelo SPHAN foi em 1964. A cidade conservou aspectos arquitetônicos, literários e humanos dotados de significação incrível e um patrimônio monumental único de três séculos de história.
    Foi o palco da luta entre os franceses e os portugueses, contando com um traçado urbano seiscentista e um conjunto urbano do século XIX, com uma importante azulejaria nos edifícios, além de conservar o processo de fabricação de embarcações.
  • Centro Histórico de Diamantina

    Foi tombado como acervo arquitetônico e paisagístico em 1938.
    Seu urbanismo (barroco luso) se difere das cidades do ciclo do ouro, adaptando-se a uma precariedade de materiais como madeira e barro.
    A flexibilidade da trama urbana se deve ao seu posicionamento,
    na encosta da montanha e ao solo pedregoso.
    Ao mesmo tempo, a cidade possui um grande patrimônio imaterial protegido desde 2000 que considera aspectos desde o junho musical até as celebrações religiosas que envolvem as povoações vizinhas.
  • Goiais

    A cidade mineradora mais autêntica e em melhor estado é um marco da expansão de bandeirantes paulistas que avançaram as marcas do Tratado de Tordesilhas..
    Datada de 1728, ocupa ambas as margens do Rio Vermelho, no coração do Planalto Central Brasileiro e conseguiu ser aclamada como patrimônio cultural em 2001.