Arte e Psicanálise: Freud, os artistas e suas obras

  • "Estudos sobre a histeria"

    "Estudos sobre a histeria"
    “...a mim mesmo ainda impressiona singularmente que as histórias clínicas que escrevo possam ser lidas como novelas [...] Devo me consolar com o fato de que evidentemente a responsabilidade por tal efeito deve ser atribuída à natureza da matéria, e não à minha predileção [...] uma exposição minuciosa dos processos psíquicos, como estamos acostumados a obter do escritor, me permite adquirir, uma espécie de compreensão do desenvolvimento de uma histeria".
  • Cartas de Freud a Fliess (31/05): Goethe e Shakespeare

    Cartas de Freud a Fliess (31/05): Goethe e Shakespeare
    "O mecanismo da poesia [criação literária] é o mesmo das fantasias histéricas. Para compor seu Werther, Goethe combinou algo que havia experimentado (seu amor por Lotte Kästner) e algo que tinha ouvido (o destino do jovem Jerusalém, que se suicidou). Provavelmente, Goethe estava brincando com a idéia de se matar [...] Por meio dessa fantasia, protegeu-se das conseqüências de sua experiência.
    De modo que Shakespeare tinha razão ao justapor a poesia e a loucura (fine frenzy)".
  • Cartas de Freud a Fliess (15/10): Édipo Rei e Hamlet

    Cartas de Freud a Fliess (15/10): Édipo Rei e Hamlet
    "Como é que Hamlet, histérico, justifica suas palavras: “E assim a consciência nos torna a todos "covardes”? Como explica sua hesitação em vingar o pai através do assassinato do tio. Como senão pela tortura que ele sofre em vista da obscura lembrança de que ele próprio havia contemplado praticar a mesma ação contra o pai, por paixão pela mãe, e — “a se tratar cada homem
    seguindo seu merecimento, quem ‘escapara do açoite’ ”? Sua consciência é seu sentimento inconsciente de culpa"
  • Cartas de Freud a Fliess (02/05): Sublimação

    Cartas de Freud a Fliess (02/05): Sublimação
    "Em primeiro lugar, formei uma idéia coerente a respeito da estrutura da histeria. Tudo remonta à reprodução das cenas, a algumas das quais se pode chegar diretamente, enquanto a outras, só por meio de fantasias erigidas à frente delas. As fantasias derivam de coisas que foram ouvidas, mas só compreendidas posteriormente, e todo o seu material, naturalmente, é verídico. São estruturas protetoras, sublimações dos fatos, embelezamentos deles e, ao mesmo tempo, servem como auto-absolvição"
  • Cartas de Freud a Fliess (02/05): Arquitetura da Histeria

    Cartas de Freud a Fliess (02/05): Arquitetura da Histeria
    "...as fantasias são fachadas psíquicas construídas com a finalidade de obstruir o caminho para essas lembranças. As fantasias servem, ao mesmo tempo, à tendência de aprimorar as lembranças, de sublimá-las. São feitas de coisas que são ouvidas e posteriormente utilizadas; assim, combinam coisas que foram experimentadas e coisas que foram ouvidas, acontecimentos passados"
  • Cartas de Freud a Fliess (20/06): C. F. Meyer

    Cartas de Freud a Fliess (20/06): C. F. Meyer
    "Não há dúvida de que [o livro A Juíza] está relacionado com uma defesa poética contra a lembrança de um caso [sexual] com a irmã. É estranho, porém, que esta [defesa] se dê exatamente como na neurose. Todos os neuróticos criam o chamado romance familiar (que se torna consciente na paranóia); ele atende, de um lado, à necessidade de auto-enaltecimento e, de outro, como defesa contra o incesto".
  • "Interpretação dos Sonhos"

    "Interpretação dos Sonhos"
    Freud publica, em 1899 com data de 1900, o livro "Interpretação dos Sonhos" que marca o nascimento da Psicanálise. Aqui já encontramos referências à arte e à literatura. "Outra das grandes criações da poesia trágica, o Hamlet de Shakespeare, tem suas raízes no mesmo solo que Oedipus Rex. Mas o tratamento modificado do mesmo material revela toda a diferença na vida mental dessas duas épocas, bastante separadas, da civilização: o avanço secular do recalcamento na vida emocional da espécie humana"
  • "Fragmentos da análise de um caso de histeria" (Caso Dora) - 1905

    "Fragmentos da análise de um caso de histeria" (Caso Dora) - 1905
    "Na vida sexual de cada transgredimos um pouquinho os estreitos limites do que se considera normal. As perversões não são bestialidades nem degenerações no sentido patético dessas palavras. São o desenvolvimento de germes contidos, em sua totalidade, na disposição sexual indiferenciada da criança, e cuja supressão ou redirecionamento para objetivos assexuais mais elevados - sua “sublimação” - destina-se a fornecer a energia para um grande número de nossas realizações culturais".
  • "Três ensaios sobre a teoria da sexualidade"

    "Três ensaios sobre a teoria da sexualidade"
    "A progressiva ocultação do corpo advinda com a civilização mantém desperta a curiosidade sexual, que ambiciona completar o objeto sexual através da revelação das partes ocultas, mas que pode ser desviada (“sublimada”) para a arte, caso se consiga afastar o interesse dos genitais e voltá-lo para a forma do corpo como um todo".
  • "Personagens psicopáticos no palco"

    "Personagens psicopáticos no palco"
    Escrito em 1905 ou 1906, e publicado postumamente por intermédio do musicólogo Max Graf em 1942, “Personagens psicopáticos no palco” retoma e relê problemáticas, já discutida por Aristóteles em "Sobre a arte poética".
    O texto está alinhado a uma das duas grandes vertentes de reflexão de Freud em seu encontro com os artistas e suas obras, que são: 1) os efeitos da arte no público; 2) o que está em jogo na criação artística, sendo que aqui a ênfase recai sobre a primeira.
  • "Delírios e sonhos na Gradiva de Jensen"

    "Delírios e sonhos na Gradiva de Jensen"
    Publicado em 1907, trata-se do primeiro texto em que Freud se dedica de maneira mais específica às relações entre a psicanálise e uma obra literária.
    Não se trata aqui de colocar o artista ou sua obra, por meio da análise do personagem, no divã. Ao enfocar o personagem, seus sonhos e seu processo de "cura", Freud se pergunta sobre o saber do artista: de onde ele retira seu saber sobre as leis que regem o inconsciente.
  • "Atas da Sociedade Psicanalítica de Viena (1906-1908)"

    "Atas da Sociedade Psicanalítica de Viena (1906-1908)"
    Nestes registros das reuniões da primeira sociedade de psicanálise, fundada por Freud e por um grupo heterogêneo de interessados por suas ideias, temos acesso aos debates e ideias que fundaram a psicanálise. Nas famosas reuniões de quarta-feira, que ocorriam na casa de Freud, seus integrantes debatiam, discordavam, em reuniões muitas vezes acaloradas, temas como sexualidade, religião, o normal e o patológico, arte e literatura.
  • "O poeta e o fantasiar"

    "O poeta e o fantasiar"
    Publicado em 1908, neste texto Freud articula, dentre outras ideias, a produção artística e o brincar infantil. Aqui também podemos encontrar a problemática do saber do artista.
  • "Uma lembrança de infância de Leonardo da Vinci"

    "Uma lembrança de infância de Leonardo da Vinci"
    Publicado em 1910, trata-se do texto preferido de Freud e, possivelmente, o mais criticado. Pivô de discórdias, inclusive entre psicanalistas, objeto de inúmeros debates, é impossível não ver neste trabalho, com a vantagem que a distância histórica nos concede, o esforço de Freud em extrair algo do singular tanto de Leonardo quando de suas obras.
  • "Análise de uma fobia de um menino de cinco anos" (Caso Pequeno Hans)

    "Análise de uma fobia de um menino de cinco anos" (Caso Pequeno Hans)
    O célebre caso de uma análise infantil, publicado por Freud, na qual ele exerceu a função de supervisor, uma vez que o tratamento fora feito pelo próprio pai da criança. Lacan, em seu Seminário 4, articula tal caso e o texto de Freud sobre a lembrança de infância de Leonardo da Vinci, o que reforça ainda mais as relações entre os dois textos, para além da proximidade cronológica, que já indica também suas articulações. Herbert Graff, o menino em questão, torna-se um importante diretor de ópera.
  • "Observações sobre um caso de neurose obsessiva ("O homem dos ratos)

    "Observações sobre um caso de neurose obsessiva ("O homem dos ratos)
    Um dos cinco famosos casos clínicos de Freud, este caso de neurose obsessiva é publicado no mesmo ano em que Freud está escrevendo seu texto "Uma lembrança de infância de Leonardo da Vinci". Em uma carta a Jung, os dois temas são abordados. Tudo isso nos ajuda a refletir sobre a proximidade entre aquilo que Freud explora no texto sobre a lembrança infantil do artista renascentista e as interrogações que a clínica suscitavam nele.
  • Carta de Freud para Jung (17/09)

    Carta de Freud para Jung (17/09)
    Nesta carta Freud, em que Freud também fala com Jung sobre o caso clínico do "Homem dos ratos", ele revela outros dados de sua clínica, relacionado a Leonardo da Vinci, trabalho que estava escrevendo: "Não faz muito encontrei um neurótico que era um fiel retrato dele (sem o gênio)".
  • Carta de Freud para Jung (11/11)

    Carta de Freud para Jung (11/11)
    "Um espírito nobre, Leonardo da Vinci, tem posado regularmente para mim a fim de que a psicanálise um pouco."
  • Carta de Freud para Jung (21/11)

    Carta de Freud para Jung (21/11)
    "O fato de não poder tê-lo a meu lado, para mostrar-lhe minha análise de Leonardo da Vinci, deixa-me profundamente triste. [...] Estou atribuindo uma importância cada vez maior às teorias da sexualidade infantil, que por sinal tenho abordado de modo deploravelmente incompleto [...] Minha prática agora me traz poucas novidades, poucas coisas realmente inéditas, e para os problemas profundos da escolha da neurose devo esperar um desses casos raros em que a análise é completada de fato".
  • Carta de Freud para Jung (02/12)

    Carta de Freud para Jung (02/12)
    "Ontem apresentei na Sociedade meu ensaio sobre Leonardo da Vinci. Eu mesmo estava insatisfeito com ele, mas agora posso esperar que essa obsessão se acalme um pouco. Meus vienenses me exasperam cada vez mais — ou será que estou ficando “excêntrico”?
  • Carta de Freud para Jung (06/03)

    Carta de Freud para Jung (06/03)
    "A segunda edição da Teoria da Sexualidade, onde as únicas alterações são algumas notas, lhe será enviada amanhã...No mais me entrego ao Leonardo sem reservas".
  • Carta de Freud para Jung (22/04)

    Carta de Freud para Jung (22/04)
    "Já estou revendo as provas do Leonardo, sobre o qual tenho grande curiosidade em saber sua opinião. Em maio ele há de ver a luz do dia. No mais mergulho em nossos problemas psicológicos, sem dispor, no entanto, de coisas amadurecidas que mereçam comunicação. Com esses afazeres eu me distraio um bocado, reagindo contra um excesso de atividade analítica: treze casos em nove horas diárias".
  • Carta de Freud a Ernest Jones (abril)

    Carta de Freud a Ernest Jones (abril)
    “Não deposite muitas esperanças nesse Leonardo que sairá no mês que vem. Não espere encontrar nele o segredo da Virgem dos rochedos nem a solução para o problema da Gioconda; para que o livro lhe agrade, não tenha expectativas elevadas demais”.
  • "Observações psicanalíticas sobre um caso de paranóia relatado em uma biografia" (Caso Schreber)

    "Observações psicanalíticas sobre um caso de paranóia relatado em uma biografia" (Caso Schreber)
    "A investigação psicanalítica da paranoia não seria possível se os doentes não tivessem a peculiaridade de revelar, ainda que de forma distorcida, justamente o que os demais neuróticos escondem como um segredo [...] Parece-me lícito, então, fazer
    interpretações psicanalíticas a partir do caso clínico de um paranoico (enfermo de dementia paranoides) que jamais conheci, mas que redigiu ele mesmo sua história clínica e a levou ao conhecimento público de forma impressa".
  • "Totem e Tabu"

    "Totem e Tabu"
    "As neuroses mostram, por um lado, notáveis e profundas concordâncias com as grandes produções sociais que são a arte, a religião e a filosofia, e, por outro lado, aparecem como deformações delas. Pode-se arriscar a afirmação de que uma histeria é uma caricatura de uma obra de arte, uma neurose obsessiva, a caricatura de uma religião, e um delírio paranoico, de um sistema filosófico.
    A diferenciação remonta, em última análise, ao fato de as neuroses serem formações associais"
  • "O Moisés, de Michelângelo"

    "O Moisés, de Michelângelo"
    Freud publica este texto, anonimamente, na revista Imago, em 1914. Em 1924, o trabalho é novamente publicado em Die Gesammelten Schriften [Obras Reunidas], revelando, assim, sua autoria.
    “Nenhuma outra escultura produziu maior efeito sobre mim. Quantas vezes não subi os íngremes degraus que levam [...] à solitária praça onde fica a abandonada igreja e procurei suportar o olhar de cólera e desprezo do herói bíblico [...] como se eu mesmo pertencesse à gentalha que os seus olhos miram."
  • "História de uma neurose infantil" (Caso do "Homem dos Lobos")

    "História de uma neurose infantil" (Caso do "Homem dos Lobos")
    Publicado em 1918, neste caso clínico, Freud aponta a complexidade e a particularidade, para a psicanálise, da escrita do caso clínico.
    "Não posso escrever a história de meu paciente em termos puramente históricos nem puramente pragmáticos. Não posso oferecer uma história do tratamento nem da doença; vejo-me obrigado a combinar os dois modos de apresentação. Sabe-se que ainda não se achou um meio de transmitir no relato da análise, de alguma forma que seja, a convicção que dela resulta".
  • "Uma lembrança de infância em Poesia e Verdade"

    "Uma lembrança de infância em Poesia e Verdade"
    Neste texto, Freud trabalha uma lembrança de infância de Goethe, relatada em sua autobiografia "Dichtung und Wahrheit" (1811-1833). Impossível não notar a semelhança do título deste texto e daquele em que Freud aborda também uma lembrança infantil de Leonardo da Vinci. Aqui Freud prioriza a via na qual aborda a experiência de tais lembranças à luz do que observa em sua clínica.
  • "Das Unheimliche"

    "Das Unheimliche"
    "É raro o psicanalista sentir-se inclinado a investigações estéticas, mesmo quando a estética não é limitada à teoria do belo, mas definida como teoria das qualidades de nosso sentir. Pode ocorrer, no entanto, que ele venha a interessar-se por um âmbito particular da estética, e então este será, provavelmente, um âmbito marginal, negligenciado pela literatura especializada na matéria".
  • "Além do Princípio do Prazer"

    "Além do Princípio do Prazer"
    Neste importante texto, em que o dualismo pulsional ganha outra dimensão, pulsão de vida e pulsão de morte, fazendo a psicanálise se dobrar sobre si mesma, num movimento de constante interrogação, Freud retoma questões trabalhadas em "O poeta e o fantasiar" a respeito do brincar infantil, atravessado agora pela pulsão de morte.
  • "Uma neurose demoníaca do século XVII"

    "Uma neurose demoníaca do século XVII"
    Publicado em 1923, trata-se de leitura que Freud faz do caso do pintor Christoph Haizmann, que através de um manuscrito com ilustrações, relata seu pacto com o diabo.
    "Se examinarmos esse compromisso com o Demônio como se fosse o caso clínico de um neurótico, nosso interesse se voltará, em primeira instância, para a questão de sua motivação [...] Por que alguém assina um compromisso com o Demônio? Fausto, é verdade, indagou desdenhosamente: O que tens a dar, pobre Diabo?"
  • "Dostoiévski e o parricídio"

    "Dostoiévski e o parricídio"
    "Mas ante o problema do escritor, a psicanálise tem que depor as armas, infelizmente".
    Quais seriam estes problemas? Não seriam, justamente, os questionamentos já feitos por Freud em outros textos? Ou seja: de onde vem o saber do artista?; o que está em jogo no processo de criação?; por que e como o escritor produz em nós efeitos por meio de suas obras?
  • "Prêmio Goethe"

    "Prêmio Goethe"
    Discurso de Freud para o recebimento do Prêmio Goethe.
    "No tocante à variedade de facetas Goethe se aproxima de Leonardo, o mestre renascentista, que foi artista e pesquisador como ele. Mas as figuras humanas jamais se repetem; também não faltam profundas diferenças entre esses dois grandes. Na natureza de Leonardo o pesquisador não se harmonizava com o artista, perturbava-o e, por fim, talvez o sufocasse. Na vida de Goethe as duas personalidades coexistiam bem, alternando-se no predomínio"